Algo como luz e amor....

Era uma tarde de novembro ,que nunca me esqueceu ,tive outras melhores e piores ,mas aquela nunca se perdeu dentro de mim.
Era final de ano , e na escola nada de surpreendente ou diferente acontecia,nada até aquela tarde de novembro.A aula havia começado há pouco e a professora ,explicava alguma coisa sobre Robespierre ,derrepente a diretora apareceu na porta da sala a professora foi ao seu encontro, ela voltou animada e nos avisou:-Temos uma aluna nova!-todos esperavam a entrada da novata .
Narra-la agora me faz tremer a caneta na mão e as sombras do passado tão confuso vem perpassar ligeiras , mas hoje me lembro daqueles olhos , verdes, grandes,como os olhos de Capitu , hoje saberia a que compara-los, olhos de ressaca, que pareciam tragar-me , os cabelos lindissimos ,escarlates ,pareciam envolver o mundo em seus fechos , me lembro de seus movimentos entrand calmamente na sala de aula , suas unhas talhadas em forma de amendoas , mais pareciam madreperolas.
Algo me atraia aquela garota , algo sobrenatural,tudo depois daquela tarde de novembr me causava arrepios ,era como se uma tristeza muito grande me enchesse a alma , e tudo piorava quando via seus olhos vazios ,tudo a tornava depressiva e  gelada,uma frieza de gelo, um aperto tambem dentro de mim.Era como se sua energia malefica me tivesse penetrado até os ossos .Eu já não sabia  o que fazer para me livrar daquele mal-estar.Que teria causado isso?
Resolv segui-la, descobrir que misterios escondia,naquele dia na Escola , ela parecia ler meus pensamentos , me olhava como se me repreendesse ou alertasse, seus olhos verdes me fitavam e ela ás vezes esboçava um sorriso melancolico , parece que ela sabia que eu descobriria seus segredos naquele dia.
Depois da aula , ela saiu radiante sob a luz do sol de fim de tarde ,esperei um pouco , e fui atras , meus passos pareciam cada vez mais rapidos , e a atmosfera daquele dia estava diferente , agora eu estava num beco sem saida. Ali sozinho , numa região isolada e triste.
Nessa hora anoitecia.
Não sei como foi , sei que derrepente estava na minha frente uma casa , um predio nu, de construçao simploria , abria suas janelas , como grandes olhos. Os muros frios , ali havia entrado a garota que há semanas me atormentava ,abri os portoes , não cuidei para evitar que me ouvissem , os ruidos do velho portão fez com que aparecesse na orbita vazia da casa , ela radiante , fiquei paralisado , seu olhar me cortava , mordi meus labios , e o sangue rubro desceu sobre minha pele.
Derrepente algo estalou dentro da casa ela desapareceu da janela, recuperei-me ,e segui até a porta.Hesitei tocar a campanha, mas algo impediu-me , cravei com força as mãos sobre a maçaneta da porta .Abri, o que vi naquela casa me surpreendeu de tal modo , que mesmo depois de longos anos meu rosto se transfigura e se enche de duvida e pavor ao lembrar.A casa parecia inabitada , talvez durante anos , ninguem havia pisado ali,haviam teias de aranhas, e poeira  sobre os móveis ,procurei-a por todos os lados ,foi quando ela apareceu  na porta e me fitou com aqueles olhos , aprximou-se de mim ,e sem uma palavra , acariciou-me os cabelos , a face , tudo me instigava, porque ela me arrastara até ali?Que sentimentos eram aqueles?
Selamos então todos os misterios , nossos labios se tocaram e enfim pude entender amava-a.
Mas derrepente senti suas maos se soltando, seus labios tambem , abri os olhos e a vi subir do chao , seu corpo se iluminava , e ela sorria , derrepente ela foi sumindo em uma nuvem , como nas melhores historias hollywoodianas, então ela desapareceu e tudo silenciou,a noite seguiu quieta, enquanto saia da casa , voltei-me e fitei as grandes orbitas da casa que agora pareciam completas.